Hospital de Base vive clima de medo com internação prolongada de apenados perigosos em Porto Velho

A permanência de apenados de alta periculosidade no Hospital de Base de Porto Velho vem transformando a rotina da maior unidade pública de saúde de Rondônia em um cenário de tensão, medo e insegurança. Enquanto pacientes comuns lutam pela própria recuperação, convivem diariamente com a presença de presos condenados por crimes graves, muitos deles cumprindo penas altíssimas e aguardando, há meses, por cirurgias e equipamentos médicos que nunca chegam.
Os corredores do hospital passaram a refletir uma realidade preocupante: além da superlotação e da demora nos atendimentos, cidadãos internados precisam enfrentar o clima constante de apreensão provocado pela presença massiva de detentos sob escolta. Familiares relatam medo, desconforto e sensação de vulnerabilidade ao dividirem espaços com criminosos considerados perigosos.
A situação também afeta diretamente os profissionais da saúde. Médicos, enfermeiros e técnicos trabalham sob pressão psicológica permanente, convivendo com o receio de possíveis conflitos, tentativas de fuga e episódios de violência dentro da unidade hospitalar. O ambiente, que deveria representar acolhimento e recuperação, hoje é descrito por muitos como um espaço tomado pelo medo e pela insegurança.
O problema se agrava diante da demora na realização das cirurgias. Alguns apenados permanecem internados durante longos períodos à espera de equipamentos especializados e procedimentos sem previsão de realização. Com isso, leitos seguem ocupados por meses, aumentando a sensação de caos e sobrecarga no hospital.
A crise escancara não apenas a precariedade da saúde pública, mas também a ausência de estrutura adequada para o atendimento de custodiados do sistema prisional. Especialistas defendem a criação urgente de alas específicas e unidades hospitalares preparadas para esse tipo de demanda, evitando que pacientes, acompanhantes e profissionais sejam submetidos diariamente a um ambiente de medo dentro de um hospital público.
No Hospital de Base de Porto Velho, o que deveria ser um local de esperança e recuperação vem se tornando, para muitos, um retrato da falência estrutural entre saúde pública, segurança e sistema prisional.